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01/04/2011 - 09:19

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Em uma produção orgânica em Boa Esperança do Sul, interior de São Paulo, existem 16 estufas e dezenas de produtos. A meta é produzir mil quilos por semana, e a produtora Érica Tannuri garante que tem comprador.

Pelas contas do Ministério da Agricultura, o mercado interno de orgânicos cresceu 40% no ano passado em relação a 2009, o faturamento do setor foi de R$ 350 milhões. Quem está neste mercado diz que o trabalho é maior e a cultura é mais vulnerável. Érica Tannuri afirma que na questão de pragas, não existe nenhum defensivo agrícola que as controle imediatamente no orgânico: "Tem que fazer sempre pesquisas com lupas ou andar pela lavoura". Mesmo com o trabalho dobrado o preço final acaba compensando.

Em São Carlos, o engenheiro agrícola Maurílio Eduardo da Silva também aposta nos orgânicos. Ele arrendou dois hectares há um ano e meio e já observa diferença na terra: "O chão tinha bastante areia, hoje é uma terra que já tem cor, com matéria orgânica inserida e a cada ano fica mais rica".

Alguns dos combustíveis para a produção orgânica são o esterco de gado e a palhada, que é fonte importante de nitrogênio. Silva mostrou um indicador de como isso vai fazer bem para terra, ele desenvolveu um tipo de sistema de irrigação, no local há várias minhocas que fazem todo o trabalho de aeração do solo: "Elas também ajudam a fertilizar porque são matéria orgânica e se transformam em nutrientes para planta". Sendo assim, ter minhoca no local é um indicativo de que a terra está boa.

O engenheiro agrícola também adotou práticas conservacionistas, como barreiras vegetais entre as culturas e a cobertura para manter a terra úmida. As mudas são cultivadas em ambiente protegido, o resultado é colher alimento sem uma gota de adubo químico. Para Silva, isso é bom em vários sentidos: "Nós e os clientes vamos comer uma coisa limpa, saudável e sem contaminação nenhuma, além de também ser bom para o ambiente, para os animais". Ao todo, são mais de 20 produtos cultivados sem agredir o meio ambiente, só de alface são seis variedades.

O negócio cresceu e Silva acabou de montar uma loja de orgânicos na cidade, junto com a noiva e engenheira agrônoma, Juliana Ortega. Toda a produção vai para lá. Agora, o próximo passo é conseguir o selo único, uma nova exigência do Ministério da Agricultura.

A loja também vende produtos orgânicos de outras empresas, como laticínios, chocolate e até salgadinhos. Juliana está bastante confiante no mercado. "A gente vê que o orgânico hoje em dia está bastante em alta, é um mercado concreto. Várias pessoas quando pensam no orgânico, lembram só de verduras e frutas e acabam descobrindo quem existe uma variedade enorme de produtos e acabam se interessando também."
 

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